Terapia da Esperança, do livro Autodescobrimento

autodescobrimento-joanna-de-angelis-2Do livro Autodescobrimento, de Divaldo Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis. Trecho do capítulo 6 – Equilíbrio e Saúde.

6.3 – Terapia da Esperança

O predomínio do ego, nos relacionamentos humanos, responde pelas incessantes frustrações e desequilíbrios outros, que assinalam a criatura humana.

Sem a correspondente consciência lúcida em tordo dos objetivos da existência carnal, o indivíduo que assim age faz-se vítima da personalidade enfermiça a que se acostumou como método de triunfo nos seus cometimentos.

Considerando que o inter-relacionamento pessoal é uma arte de dissimular sentimentos, afivela a máscara correspondente a cada momento variando-a conforme as circunstâncias, ocasiões e pessoas com as quais se comunica.

Acostumando-se à aparência, desloca-se da realidade, passando a viver inseguro nas armadilhas que prepara com o objetivo de não se permitir identificar.

Observando a conduta das pessoas inconsequentes que, às vezes, triunfam por meios dos recursos da fantasia e da bajulação, passa a imitá-las, deixando-se conduzir por absurdos comportamentos, distantes da realidade e do dever.

Estabelecem-se então conflitos íntimos, e a escala de valores padece a perda do significado, desaparecendo os parâmetros para a compreensão, tanto do que é certo como daquilo que é errado.

Superados os momentos de convívio no baile de máscaras a que se reduzem os seus encontros sociais, a identificação da pusilanimidade propõe-lhe o desrespeito por si mesmo, a perda da autoestima, o transtorno de comportamento neurótico.

Novamente chamado à convivência social, oculta o estado interior legítimo e volve à dissimulação.

Indispensável que o self predomine desperto no indivíduo, contribuindo para a sua realização, segurança e plenitude.

Embora a maioria expressiva de indivíduos prefira o jogo das personalidades, não é possível ignorar a prevalência do sofrimento disso decorrente. Negam a verdade, recusam auto-encontro, fogem do despertar dos valores que se acham adormecidos, e sucumbem.

Narram que um homem sábio dispôs-se a transmitir os seus conhecimentos, reunindo à sua volta inúmeros interessados.

À medida que as aulas se sucediam, decrescia o número dos candidatos ao aprendizado, ao ponto de, em pouco tempo, haver ficado apenas um.

Disse-lhe então, o mestre:

– Somente prosseguirei, se houver um número maior de discípulos.

Interessado em aprender, o candidato recorreu aos desertores e instou para que voltassem, o que redundou em total fracasso.

Ele meditou longamente e tomou a decisão de levar à aula vários manequins vestidos, que conseguiu em uma casa comercial. Colocou-os na sala e convidou o mestre para retornar às lições.

Surpreso, ele respondeu:

– Todos esses bonecos são incapazes de entender-me. São apenas bonecos …

– Isso mesmo – esclareceu o adepto, imperturbável -. Eles representam aqueles que se foram e que, mesmo quando aqui estavam, eram mortos, sem interesse. As vossas aulas eram-lhes muito profundas e eles não as queriam, mas eu estou interessado nelas, apenas eu.

Sensibilizado, o sábio, dele fez o aprendiz ideal que se tornou continuador das experiências.

O mesmo acontece nos palcos da sociedade hodierna, de alguma forma geradora de distúrbios psicológicos no comportamento dos atores que se apresentam nos dramas, nas tragédias, nas comédias do cotidiano.

A ocorrência torna-se tão predominante que somente os caracteres fortes conseguem aprofundar a busca da sua realidade, descobrindo-se, autoencontrando-se. Adotam um comportamento de autenticidade, preferindo seguir uma linha direcional de coerentes atitudes, à variação continua, instabilizadora, perturbante.

Enquanto o candidato ao equilíbrio não abdique dos métodos equivocados em vigência, assumindo-se e exteriorizando-se como é, permanecerá no ledo engano neurotizante. Sejam quais foras as análises e tratamentos que busque, toda vez que enfrente o grupo social fugirá para o disfarce, para o uso da persona.

A identificação dos objetivos da vida faculta os estímulos para o prosseguimento da busca de autenticidade, de realização. Sabe que o corpo é indumentária transitória e com esse conhecimento descortina o futuro, para o qual segue com firmeza. Adquire confiança em si mesmo e no porvir, passando a antecipá-lo desde agora, usando o bom ânimo, a coragem na luta, o sorriso de bem-estar.

Passa a ter a inteireza moral de não valorizar em demasia as pequenas ocorrências, os insucessos aparentes e ri de si mesmo com otimismo, enfrentando os obstáculos com os estímulos que levam a transpô-los.

Certamente que, ao retirar o personalismo dos seus atos e a simulação do seu comportamento alienante, não pretende chocar ou agredir as demais pessoas. Somente deseja ser íntegro, jovial, vulnerável, apresentando-se como pessoa, que busca outras pessoas em relacionamento social saudável, enriquecedor, pleno de esperanças.

Toma Jesus como o seu psicoterapeuta ideal e deixa que brilhe a luz nele escondida, com o que se torna livre e sadio.

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Diferentes ordens de Espíritos

revista-espirita-1858Matéria da Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos da data de fevereiro de 1858. Publicação sob a direção de Allan Kardec.

Um ponto capital, na Doutrina Espírita, é o das diferenças que existem, entre os Espíritos, sob o duplo intercâmbio intelectual e moral; seu ensinamento, a esse respeito, jamais variou; mas, não é menos essencial saber que não pertencem, perpetuamente, à mesma ordem, e que, conseqüentemente, essas ordens não se constituem em espécies distintas: são diferentes graus de desenvolvimento. Os Espíritos seguem a marcha progressiva da Natureza; os das ordens inferiores são ainda imperfeitos; alcançam os graus superiores depois de estarem depurados; avançam na hierarquia à medida que adquirem as qualidades, as experiências que lhes faltam. A criança, no berço, não se parece ao que será na idade madura, e, todavia, é sempre o mesmo ser.

A classificação dos Espíritos está baseada no grau do seu adiantamento, nas qualidades que adquiriram, e nas imperfeições das quais, ainda, não se despojaram. Essa classificação, de resto, nada tem de absoluta; cada categoria não apresenta um caráter distinto senão no seu conjunto; mas, de um grau ao outro a transição é imperceptível, e, sobre os limites, a nuança se apaga como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou, ainda, como nos diferentes períodos da vida do homem. Pode-se, pois, formar um maior ou menor número de classes segundo o ponto de vista sob o qual se considera a questão. Ocorre aqui como em todos os sistemas de classificações científicas; os sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência, porém, quaisquer que sejam, não mudam nada no fundo da ciência. Os Espíritos, interrogados sobre esse ponto, puderam, pois, variar no número das categorias, sem que isso tivesse conseqüências sérias. Serviu-se dessa aparente contradição, sem refletir que eles não ligam nenhuma importância ao que é puramente convencional; para eles, o pensamento é tudo; nos deixam a forma, a escolha das palavras, as classificações, em uma palavra, os sistemas.

Acrescentemos, ainda, esta consideração de que não se deve, jamais, perder de vista, que, entre os Espíritos, como entre os homens, há os muito ignorantes, e que não seria demais se colocar em guarda contra a tendência a crer que todos devem tudo saber porque são Espíritos. Toda classificação exige método, análise e conhecimento profundo do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos, os que têm conhecimentos limitados são, como aqui os ignorantes, inabilitados a abarcar um conjunto, a formular um sistema; aqueles mesmo que disso são capazes, podem variar nos detalhes, segundo seu ponto de vista, sobretudo quando uma divisão nada tem de absoluta. Linnée, Jussieu, Tournefort, têm, cada um, o seu método, e a Botânica não mudou por isso; é que não inventaram nem as plantas e nem os seus caracteres; observaram as analogias segundo as quais “formaram os grupos ou classes. Foi assim que procedemos; não inventamos nem os Espíritos e nem os seus caracteres; vimos e observamos, julgamo-los por suas palavras e atos, depois foram classificados por semelhanças; é o que cada um teria feito em nosso lugar.

Não podemos, entretanto, reivindicar a totalidade desse trabalho como sendo obra nossa. Se o quadro, que damos em seguida, não foi textualmente traçado pelos Espíritos, e se dele tivemos a iniciativa, todos os elementos dos quais se compõe foram tomados dos seus ensinamentos; não nos restou mais do que formular-lhe a disposição material.

Os Espíritos admitem, geralmente, três categorias principais ou três grandes divisões. Na última, a que está na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, que têm, ainda, todos ou quase todos os degraus a percorrer; caracterizam-se pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão ao mal. Os da segunda, caracterizam-se pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espíritos. A primeira, enfim, compreende os Puros Espíritos, aqueles que alcançaram o supremo grau de perfeição.

Essa divisão nos parece perfeitamente racional e nos apresenta caracteres bem definidos; não nos restou mais do que fazer ressaltar, por um número suficiente de sub-divisões, as nuanças principais do conjunto; foi isso o que fizemos com o concurso dos Espíritos, cujas instruções benevolentes jamais nos faltaram.

Com a ajuda desse quadro, será fácil determinar a classe e o grau de superioridade, ou inferioridade, dos Espíritos com os quais possamos entrar em intercâmbio, e, conseqüentemente, o grau de confiança e de estima que merecem. De outra parte, nos interessa pessoalmente, porque, como pertencemos, por nossa alma, ao mundo espírita, no qual reentraremos deixando nosso envoltório mortal, nos mostra o que nos resta a fazer para chegarmos à perfeição e ao bem supremo. Faremos observar, todavia, que os Espíritos não pertencem sempre, exclusivamente, a tal ou tal classe; seu progresso, não se cumprindo senão gradualmente, e, freqüentemente, mais num sentido do que num outro, podem reunir os caracteres de várias categorias, o que é fácil de apreciar por sua linguagem e por seus atos.

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Realidade e Ilusão

autodescobrimento-joanna-de-angelis-2Do livro Autodescobrimento, uma Busca Interior de Divaldo Franco, pelo espírito Joanna de Angelis. Leiam mais este livro maravilhoso e inspirativo, aqui.

” 5.2. Realidade e ilusão

O problema da interpretação da realidade mais avulta quanto melhor se penetra na estrutura das coisas.

A visão inicial, objetiva, capta a imagem do capricho dos átomos, aquilo que eles expressam sob a força da aglutinação de suas moléculas. À medida que se recorre às lentes de grande alcance, vai mudando a aparência até lograr-se detectar os espaços subatômicos, onde se movimentam as partículas.

No campo psicológico dá-se o mesmo fenômeno. Sob a máscara da personalidade, encontram-se expressões insuspeitáveis da realidade, que somente a largo tempo e com o auxílio das lentes da percepção profunda se consegue identificar.

A criatura humana é um complexo de expressões que se alternam conforme as circunstâncias e se exteriorizam de acordo com os acontecimentos que penetram nas aparências, desvelando a realidade em cada individuo. Mesmo essa, periodicamente cede a outras mais significativas, que se encontram adormecidas e despertam ampliando o seu campo de manifestação, até sobrepor-se predominando e desvelando o ser legítimo.

Na larga viagem da evolução, o Espírito assume inumeráveis expressões comportamentais que lhe imprimem características, a princípio inconscientemente, para, sem caráter de lucidez, burilá-las e ultrapassá-las, qual foco irradiante de luz, momentaneamente velada por uma lâmina de vidro embaçada, que se libertou da película impeditiva.

As experiências da evolução propõem a fixação dos valores legítimos – aqueles que são de duração permanente – enquanto os secundários, que são transitórios, servem apenas como recursos pedagógico para a aprendizagem.

Essas manifestações, que defluem das heranças perturbadoras, formam o quadro dos transtornos psicológicos e outros, que maceram o ser e o levam a estados de angústia, de inquietação, de desordem mental…

Na raiz, portanto, de qualquer transtorno neurótico jaz um conflito moral.

O grande desafio, no processo da seleção de valores, constitui a identificação de quais comportamentos éticos e morais são os recomendáveis.

Uma imensa gama de preconceitos criou uma rede de conceituações hipócritas, que confundem os códigos sociais com os morais, deixando campo para escapismos e justificativas diante de algumas atitudes, assim como geradores de consciência de culpa em outras.

Tal comportamento social tem gerado reflexões que concluem por condutas cínicas, as quais, pela ausência de padrões corretos, universais, ensejam o desvario, a agressividade, o pessimismo, a anarquia…

Podemos, porém, estabelecer parâmetros para a identificação dos valores éticos de maneira simples e inequívoca: são eles saudáveis em todas as culturas, aceitos e recomendáveis, classificados como expressão do bem, pelos resultados positivos que propiciam. Aqueloutros, os que são reprocháveis pelos danos que ocasionam, em todo lugar têm a mesma figuração, considerados, desse modo, perniciosos, portanto, negativos.

A ação do bem em favor de si mesmo, do grupo social e da comunidade, tendo em vista todos os seres sencientes, constitui um princípio ético imbatível, porque fruto do amor, do respeito à lei natural vigente em toda parte.

Tudo quanto se considera virtude faz parte desse valor ético e dessa moral, que trabalham o ser profundo e o estimulam ao crescimento, ao desdobramento das potencialidades adormecidas.

Da mesma forma, o primarismo e suas manifestações egoístas, quais a perversidade, o desamor, a traição, o ódio, o orgulho e todas as mazelas que perturbam o ser, após a sensação de prazer momentâneo que o ilude, são atitudes prejudiciais, desprezadas por todas as mentes lúcidas e laboriosas, encarregadas do processo de crescimento da humanidade.

Esses paradigmas oferecem ao ser inteligente os meios para alcançar a realidade superando a ilusão, porquanto portadores das estruturas permanentes do bem-estar, da paz, da autorrealização.

Nessa seleção de valores surge a questão do julgamento, da análise de qual conduta adotar durante os fenômenos da evolução humana.

A face do prazer embriagador fascina e emula ao gozo, do qual se desperta com tédio, frustração, por efeito da transitoriedade de que se faz intermediário.

Colocando-se a felicidade na satisfação das necessidades fisiológicas e sociais, é inevitável que o despertar seja sempre deprimente, cansativo, destituído de significação real.

Por isso, jornadeiam de uma para outra satisfação as multidões em aturdimento, sempre sedentas de novas experiências, de novos gozos,

O despertar das emoções elevadas elege outra gama de alegrias interiores, que se expressam em júbilos profundos, compensadores, que plenificam, emulando a novas conquistas iluminativas.

A vida psicológica, na busca da realidade, tem como suporte a conduta moral sem conflito, consciente da responsabilidade.

Seguindo um natural processo de superação dos atavismos primitivos, surgem patamares que se vão conquistando, logrando novos descortinos sempre ascensionais.

Cabe ao ser humano, fadado à realidade, superar os obstáculos e superar-se, descobrindo as finalidades existenciais e raciocinando em termos de vida plena, constante, de sabor eterno, iniciar e prosseguir no auto encontro  mantendo a serenidade no curso da evolução.

Diante de um equívoco, de um fracasso, entesoure-se a experiência e recomece-se o tentame.

A realidade profunda jaz sob a personalidade do ser em trânsito, ainda mergulhado na ilusão, a um passo, certamente, da decisão de conquistá-la e ser feliz.

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Dai-nos o pão de cada dia

evangelho-segundo-espiritismoEste trecho faz parte do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo“, capítulo 26 – Preces Gerais, item 3. Nesta parte do livro consta a oração Pai Nosso foi desenvolvida, aberta, para um melhor entendimento de todos que a dizem com frequência, instruindo-nos o quão importante e significativa é esta pequena oração. Este trecho mostrado é a quarta parte da oração: “Dai-nos o pão de cada dia”

IV. Dá-­nos o pão de cada dia.

Dá-­nos o  alimento indispensável à sustentação das forças do corpo; mas, dá­nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.

O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.

Tu  lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte.” Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem­ estar, uns mediante o labor manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.

Ajudas o homem de boa vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV.)

Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-­se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-­se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê­los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti.(Cap. V, nº 4.)

Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá­-la. Consideremos também que Deus nos outorgou  a inteligência para tirar-­nos do lameiro, e que de nós depende o modo  de a utilizarmos.

Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem na Terra, dá­-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá­-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.
Dá-­nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.

Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.

Se está nos teus desígnios experimentar-­nos pelas mais duras provações, malgrado aos nossos esforços, aceitamo-­las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto és justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.

Preserva­-nos, ó meu  Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa­-lhes, se esquecem a lei de caridade e de amor  do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8)

Afasta, igualmente, do nosso espírito a ideia de negar  a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem. Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder­-nos, que a tua justiça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, 9, 12 e 18)”

Leia este livro aqui.

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O Sofrimento

Plenitude-joanna-de-angelis

Leiam o livro “Plenitude” de Divaldo Franco pelo espírito Joanna de Angelis, onde o tema sofrimento é nos apresentado de forma didático, para que um dia possamos vencê-lo. Este é o capítulo 1, intitulado “O Sofrimento”.

O homem empenha-se, afanosamente, para vencer o sofrimento, que se lhe apresenta com adversário soez.

Em todas as épocas, ele vem travando uma violenta batalha para eximir-se à dor, em contínuas tentativas infrutíferas, nas quais exaure as forças, o ânimo e o equilíbrio, tombando depois em mais graves aflições.

Passar incólume ao sofrimento é a grande meta que todos perseguem. Pelo menos, diminuir-lhes a intensidade ou acalmá-lo, de modo a poder fruir os prazeres da existência em incessantes variações.

Imediatista, interessa-lhe o hoje, sem visão do porvir.

Com efeito, o sofrimento tem sido considerado vingança ou castigo divino, portanto, credor de execração e ódio.

Nas variadas mitologias, as figuras de deuses invejosos quão despeitados, infligindo punições às criaturas e comprazendo-se ante as dores que presenciam, são a resposta ancestral para o sofrimento na Terra.

Diversas escolas filosóficas e doutrinas religiosas, de alguma forma concordes com essas absurdas conceituações,estabeleceram métodos depuradores para a libertação do sofrimento, que vão desde as mais bárbaras flagelações (silícios, holocaustos, promessas e oferendas) ao ascetismo mais exacerbado, procurando negar o mundo e odiá-lo, a fim de, com essas atitudes, acalmarem e agradarem aos deuses ou a Deus.

Paralelamente, o estoicismo (indiferença e desprezo pelos males físicos e morais), herdeiro de alguns comportamentos orientais, tentou imunizar o homem, estimulando-o a uma conduta de graves sacrifícios que, sem embargo, é desencadeadora de sofrimento.

Para libertar-se desse adversário, a criatura impõe-se outras formas de dor, que aceita racionalmente, por livre opção, não se dando conta, do equívoco em que labora.

A dor, porém, não é uma punição. Antes, revela-se um excelente mecanismo da vida a serviço da própria vida.

Fenômeno de desgaste pelas alterações naturais da estrutura dos órgãos (à medida que a energia se altera advém à deterioração do invólucro material que ela vitaliza) essa disjunção faz-se acompanhada pelas sensações desagradáveis da angústia, desequilíbrio e dor, conforme seja a área afetada no indivíduo.

Desse modo, é inevitável a ocorrência do sofrimento na Terra e nas áreas vibratórias que circundam o planeta, nas quais se movimentam os seus habitantes. Ele faz parte da etapa evolutiva do orbe e de todos quantos aqui estagiam, rumando para planos mais elevados.

Na variada gênese do sofrimento, todo esforço para mitigá-lo,sem a remoção das causas, não logrará senão paliativos, adiamentos. Mesmo quando alguma injunção premie o enfermo com uma súbita liberação, se a terapia não alcançou as razões que o desencadeiam, ele transitará de uma para outra problemática sem conseguir a saúde real.

Isso porque, em todo processo degenerativo ou de aflição, o Espírito, em si mesmo, é sempre o responsável, consciente ou não. E, naturalmente, só quando ele se resolve pela harmonia interior, opera-se lhe a conquista da paz.

Em tal situação, mesmo ocorrendo os processos transformadores da ação biológica, o sofrimento disso decorrente não afeta a emoção nem se transforma em causa de danos. À semelhança de outros automatismos fisiológicos, a consciência não lhe registra a manifestação.

O sofrimento, portanto, pode e deve ser considerado uma doença da alma, que ainda se atém às sensações e opta pelas direções e ações que produzem desequilíbrio. Nesta fase, dos interesses imediatos, todo um emaranhado de paixões primitivas propele o ser na direção do gozo, sem a ética necessária ou o sentimento de superior eleição, e o atira nos cipoais dos conflitos que geram a desarmonia das defesas orgânicas, as quais cedem à invasão de micróbios e vírus que lhes destroem a imunidade, instalando-se, insaciáveis, devoradores.

Da mesma forma, os equipamentos mentais hipersensíveis desajustam-se, abrindo campo à instalação das alienações, das obsessões cruéis.

Por extensão, pode-se dizer que o sofrimento não é imposto por Deus, constituindo-se eleição da cada criatura, mesmo porque, a sua intensidade e duração estão na razão direta da estrutura evolutiva, das resistências morais características do seu estágio espiritual.

É a sensibilidade emocional que filtra a dor e a exterioriza. Com ela reduzida, as agressões de toda ordem recebem resposta de violência e agressividade.

Nas faixas mais primitivas da evolução, os fenômenos dor, desgaste, envelhecimento e morte, porque quase destituídos os seres de raciocínio e emotividade, que ainda se lhes encontram em germe, seguem uma linha direcional automatista, na qual as exceções atestam o trânsito da essência psíquica para estágios mais elevados.

Decorre disso que o sofrimento é maior nas áreas moral e emocional, que somente se encontram nos portadores de mais alto grau de evolução, de sensibilidade, de amor, capazes de ultrapassar tais condições, sobrepondo-se lhes mediante o controle de que se fazem possuidores, diluindo na esperança, na ternura e na certeza da vitória as injunções aflitivas.

Fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento são métodos ineficazes, mecanismos de alienação que postergam a realidade, somando-se sempre coma a sobrecarga das complicações decorrentes do tempo perdido. Pelo contrário, uma atitude corajosa de examiná-lo e enfrentá-lo representa valioso recurso de lucidez com efeito terapêutico propiciador de paz.

As reações de ira, violência e rebeldia ao sofrimento mais o ampliam, pelo desencadear de novas desarmonias em áreas antes não afetadas.

A resignação dinâmica, isto é, a aceitação do problema com uma atitude corajosa de o enfrentar e remover-lhe a causa, representa avançado passo para a sua solução.

É de insuspeitável significação positiva o equilíbrio mental e moral diante do sofrimento, o que se consegue por meio do treinamento pela meditação, pela oração, que defluem do conhecimento que ilumina a consciência, orientando-a corretamente.

Conhecer-se, na condição de Espírito imortal em processo evolutivo mediante as experiências reencarnatórias, representa para o homem alta aquisição de valores para compreender, considerar e vencer o sofrimento, que faz parte do “modus operandi” de todos os seres.

Muitas pessoas advogam que o sofrimento é a única certeza da vida, sem compreenderem que ele está na razão direta da conduta remota ou próxima mantida para cada qual.

Pode-se dizer, portanto, que a sua presença resulta do distanciamento do amor, que lhe é o grande e eficaz antídoto.

Interdependentes, o sofrimento e o amor são mecanismos da evolução. Quando um se afasta, o outro se apresenta. Às vezes, coroando a luta, na reta final, ei-los que surgem simultaneamente, sem os danos que normalmente desencadeiam.

A história dos mártires atesta-nos a legitimidade do conceito.

Acima de todos eles, porém, destaca-se o exemplo de Jesus, lecionando, pelo amor, a vitória sobre o sofrimento durante toda a Sua vida, principalmente nos momentos culminantes do Getsêmani ao Gólgota, e daí à ressurreição.”

Não encontrei nenhum link do livro.

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Solidão Aparente

lindos-casos-de-chico-xavierLinda história sobre a vida de Francisco Cândido Xavier, no livro “Lindos Casos de Chico Xavier“. Este é o capítulo 29 “Solidão Aparente“.

Em meados de 1932, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga” estava reduzido a um quadro de cinco pessoas, José Hermínio Perácio, D. Carmen Pena Perácio, José Xavier, D. Geni Pena Xavier e o Chico.

Os doentes e obsidiados surgiram sempre, mas, logo depois das primeiras melhoras, desapareciam como por encanto.

Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da vida familiar.

O grupo ficou limitado a três companheiros.

D. Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os dois irmãos.

José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento.

Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a frequência ao grupo, pelo menos, por alguns meses.

Vendo-se sozinho, o Médium também quis ausentar-se.

Mas, na primeira noite, em que se achou a sós no Centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu-lhe e disse:

— Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço.

— Continuar como? Não temos freqüentadores…

— E nós? — disse o espírito amigo. — Nós também precisamos ouvir o Evangelho para reduzir nossos erros. E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar, estudemos juntos a lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.

Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão do Centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto.

Em seguida, abria o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, ao acaso e lia essa ou aquela instrução, comentando-a em voz alta.

Por essa ocasião, a vidência nele alcançou maior lucidez.

Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo, à procura de paz e refazimento.

Escutava-lhes as perguntas e dava-lhes respostas sob a inspiração direta de Emmanuel.

Para os outros, no entanto, orava, conversava e gesticulava sozinho…

E essas reuniões de um Médium a sós com os desencarnados, no Centro, de portas iluminadas e abertas, se repetiam todas as noites de segundas e sextas-feiras.

Leiam aqui este lindo livro.

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Fonte de Luz

fonte-de-luz-divaldo-franco-rLinda introdução de Joanna de Angelis ao seu livro “Fonte de Luz“, psicografado por Divaldo Franco.

” O Evangelho de Jesus é um excelente tratado de psicoterapia que, utilizado com o indispensável critério, consegue oferecer saúde integral ao ser humano.

Todos os seus ensinamentos e postulados são exarados em seguro conhecimento da natureza e das necessidades que dizem respeito às criaturas.

Quando mais penetrado e repensado, sua aplicação no dia-a-dia constitui recurso valioso que se transforma em terapia preventiva para muitos males, assim como curadora para as dores e aflições, quando já instalado.

Na sucessão dos tempos, os conteúdos evangélicos, sempre desfrutaram de incomum atualidade, revigorando as estruturas morais de todos aqueles que se permitiram sensibilizar pelas suas lúcidas informações.

Não poucas vezes, foram adulteradas alguns dos seus conceitos enquanto outros estiveram adaptados a interesses subalternos, e, não obstante, esplendem de luz mirífica inúmeras páginas que constituem paradigmas para a felicidade de todo aquele que reflexione no ensinamento de que se reveste.

Graças à incomparável contribuição do Espiritismo, desvelam-se muitos dos ensinamentos que pareciam enigmáticos, porque lhes faltavam as chaves hábeis para a interpretação, qual a comunicabilidade dos Espíritos, demonstrando o resultado da conduta mantida enquanto na trajetória física.

Ao mesmo tempo, as claras teses da reencarnação, mediante as leis de causa e efeitos, abriram perspectivas otimista e felizes para a perfeita interpretação dos textos complexos e aparentemente obscuros.

Face à valiosa lógica fundamentada na razão de que o pensamento espírita se reveste, toda a Boa Nova se enriquece de claridades diamantinas que espancam as sombras da ignorância nas mentes e nos corações angustiados.

A velocidade das conquistas da ciência e da tecnologia parecia conspirar contra a dúlcida placidez e tranquilidade dos tempos apostólicos, que não poderiam ser vivenciados nos dias hodiernos caracterizados pela marcha ciclópica do desespero. Entretanto, graças às lúcidas informações dos Espíritos imorais, o compromisso com a  existência faculta a vivência harmônica e pacificada embora o fragor dos acontecimentos.

Ante as incomparáveis lições do Evangelho interpretado pela revelação espírita, todos os desafios encontram instrumentos para serem atendidos com segurança e todas as perturbações, ciladas e desaires do cotidiano, deixam de carregar o caráter punitivo para se transformarem em experiências e enriquecimento de valores morais com vistas ao futuro libertador.

Assim sendo, torna-se uma fonte de inexaurível luz a jorrar incessantemente, esbatendo as trevas e norteando os destinos.

*

O ser humano destes dias estertora, agônico, nas algemas do egoísmo e da alucinação.

Empanturrado de conhecimento intelectual, sofre a hipertrofia dos sentimentos éticos e emocionais, afligindo-se quando pensava que o triunfo da conquista das estrelas lhe dulcificasse o coração.

A ambição que desenvolveu o colossal patrimônio econômico não logrou diminuir a fome, as doenças, a agressividade, a miséria de vários matizes, que são filhas espúrias da soberba e da ignorância.

Nesse contexto de glórias e quedas, de triunfos e perdas, só Jesus pode oferecer o melhor recuso de felicidade, que flui da Sua palavra, em fonte de imarcescível luz.

*

Selecionamos trinta e cinco temas, que nos interessam a todos, e os enfocamos sob a óptica do Evangelho interpretado pelo Espiritismo, de forma a oferecer enfoques otimistas e solucionadores dos problemas que afetam a expressiva maioria dos deambulantes no carro celular…

Confiamos que irão contribuir favoravelmente quando algum leitor gentil se encontrar sob os camartelos da incerteza, da indecisão, do sofrimento, e os consultar com interesse, facultando-lhe recuperar a segurança, o equilíbrio e a paz para prosseguir.

Que essa fonte de luz, aljofrando bençãos desde há quase dois mil anos, possa dessedentar todos aqueles que em se lhe aproximando, sorvam a linfa preciosa que os clarificará por dentro, apontando-lhes o rumo para a plenitude pelos caminhos do amor e do serviço ao próximo.”

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Visões

Matéria da Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos da data de  janeiro de 1858. Publicação sob a direção de Allan Kardec.

“Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.”

– Lê-se no Courrier de Lyon:

“Na noite de 27 para 28 de agosto de 1857, um caso singular de visão intuitiva, produziu-se na Croix-Rousse, nas circunstâncias seguintes:

“Há três meses mais ou menos, o casal B…., honestos operários tecelões, movidos por um sentimento de louvável comiseração, recolheram em sua casa, na qualidade de doméstica, uma jovem um pouco idiota e que habita os arredores de Bourgoing.

“No último domingo, entre duas e três horas da manhã, o casal B…. foi despertado em sobressalto pelos gritos agudos, produzidos pela sua doméstica, que dormia num sótão contíguo ao seu quarto.

“A senhora B…. acendendo uma lâmpada, sobe para o sótão e encontra a sua criada que, derretida em lágrimas, e” num estado de exaltação de espírito, difícil de descrever, chamava, contorcendo os braços em terríveis convulsões, sua mãe que ela acabava de ver morrer, dizia ela, diante de seus olhos.

“Depois de consolar a jovem, o melhor possível, a senhora B…. retorna ao seu quarto. Esse incidente estava quase esquecido quando, ontem, terça-feira, antes do meio-dia, um carteiro do correio entrega ao senhor B…. uma carta do tutor da jovem, que informava, a este último, que, na noite de domingo para segunda feira, entre duas e três horas da manhã, sua mãe tinha morrido em conseqüência de uma queda que sofreu, caindo do alto de uma escada.

“A pobre idiota partiu ontem mesmo, pela manhã, para Bourgoing, acompanhada pelo senhor B…..seu patrão, para ali recolher a parte de sucessão que lhe cabia na herança de sua mãe, da qual havia visto, tão tristemente, em sonho, o fim deplorável.”

Os fatos desta natureza não são raros, e, freqüentemente, tivemos ocasião de narrá-los, cuja autenticidade não poderia ser contestada. Eles se produzem, algumas vezes, durante o sono no estado de sonho; ora, como os sonhos não são outra coisa do que um estado de sonambulismo natural incompleto, designaremos as visões, que ocorrem nesse estado, sob o nome de visões sonambúlicas, para distingui-las das que ocorrem no estado de vigília e que chamaremos visões pela dupla vista. Chamaremos, enfim, visões extáticas, aquelas que ocorrem no êxtase; elas têm, geralmente, por objeto os seres e as coisas do mundo incorpóreo. O fato seguinte pertence à segunda categoria.

Um armador, nosso conhecido, morando em Paris, nos contou, há poucos dias, o que segue: “No último mês de abril, estando um pouco doente, fui passear em Tuileries com meu sócio. Fazia um tempo soberbo; o jardim estava cheio de gente. De repente, a multidão desapareceu aos meus olhos; não senti mais o meu corpo, fui como que transportado, e vi, distintamente, um navio entrando no porto de Havre. Eu o reconheci como sendo o Clémence, que esperávamos das Antilhas; eu o vi atracar no cais, distinguindo claramente os mastros, as velas, os marinheiros e todos os mais minuciosos detalhes, como se estivesse nesses lugares. Voltando para minha casa, me entregaram um telegrama. Antes de tomar  conhecimento dele, disse: É o anúncio da chegada do Clémence, que entrou no Havre, às três horas. O telegrama confirmava, com efeito, essa entrada na hora em que eu a havia visto em Tuileries.”

Quando as visões têm por objeto os seres do mundo incorpóreo, poder-se-ia, com alguma aparência de razão, levá-las à conta da imaginação, e qualificá-las de alucinações. Porque nada pode demonstrar a sua exatidão; mas, nos dois fatos que acabamos de narrar, é a realidade, a mais material e a mais positiva, que se evidencia. Desafiamos todos os fisiologistas e todos os filósofos para explicá-los pelos sistemas ordinários. Só a Doutrina Espírita pode, deles, dar conta pelo fenômeno e a emancipação da alma que, escapando, momentaneamente de suas faixas materiais, se transporta para fora da esfera da atividade corporal. No primeiro fato acima, é provável que a alma da mãe veio procurar a filha para adverti-la da sua morte; mas, no segundo, é certo que não foi o navio que veio procurar o armador em Tuileries; é preciso, pois, que tenha sido a alma deste que foi procurá-lo em Havre.

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O remorso

Li esta pequena história e fiquei encantada com o livro, Memórias de Padre Germano, de Amália Domingo Sóler.

Com quanto sacrifício, com que santa fruição celebrei pela primeira vez o sacrifício da missa! Eu nasci para a vida religiosa, doce e contemplativa.

Que gratificante era, para mim, ensinar a doutrina às crianças! Quanto me deleitava ouvir suas vozinhas, umas destemperadas, outras berrantes, outras ainda fracas; mas agradáveis todas, porque eram puras como suas almas inocentes.

Oh, as tardes! As tardes de minha aldeia vivem sempre em minha memória! Quanta ternura, quanta poesia tinham para mim aqueles momentos, quando deixava meu querido breviário e, acompanhado de meu fiel Sultão, eu me dirigia ao cemitério para rogar diante da cruz de pedra pelas almas dos fiéis que dormiam a minha volta!

As crianças me seguiam de longe e me esperavam à porta da casa dos mortos; quando terminava minha oração, eu saía da mansão da verdade e, recordando as divinas palavras de Jesus, dizia: “Vinde a mim as criancinhas!” e um enxame delas me cercava carinhosamente e me pedia que lhes contasse histórias. Eu me sentava à sombra de uma venerável oliveira. Sultão se deitava aos meus pés e as crianças se entretinham, primeiro, puxando as orelhas de meu velho companheiro, que sofria resignado aquelas provas de infantil carinho e de alegre travessura. Eu os deixava, gostava de ver-me cercado por aquelas inocentes criaturas que me olhavam com ingênua admiração, dizendo uns aos outros: “Vamos brincar de morto com Sultão, que o padre não briga.” E meu pobre cão se deixava arrastar pela grama, merecendo, no final, como prêmio por sua condescendência, que todas as crianças lhe dessem algo de seus lanches; depois, restabelecida a calma, todos se sentavam a minha volta e ouviam atentamente o acontecimento milagroso que eu lhes contava.

Sultão era o primeiro a dar o sinal de ir embora; levantava-se, inquietava as crianças com pulos e corridas e voltávamos todos juntos a nossos pacíficos lares; e assim passei muitos dias, muitos meses de paz e de amor, ignorando que houvesse criminosos no mundo. Mas, ah, a morte levou o padre João, e então assumi aquela paróquia, e novas atenções chegaram para perturbar o sono de minhas noites e o sossego de meus dias.

Sem perceber por quê, eu sempre havia recusado a confissão dos pecados alheios. Julgava ser uma carga muito pesada guardar segredos dos outros. Minha alma, franca e ingênua, angustiava-se com o peso de mil culpas e tinha medo de aumentar a carga com os pecados dos outros. Mas a morte do padre João me obrigou a sentar no tribunal da penitência, ou melhor, da consciência humana, e então, oh, então minha vida se horrorizou.

Quantas histórias tristes! Quantos desacertos! Quantos crimes! Quanta iniquidade!

Uma noite, oh, jamais esquecerei aquela noite. Eu me preparava para descansar quando Sultão se levantou inquieto, olhou para mim atentamente, apoiou suas patas da frente no braço de minha poltrona e parecia me dizer com seu inteligente olhar: “Não se deite, alguém está chegando”. Cinco minutos depois, senti o galope de um cavalo e, após alguns instantes, o velho Miguel veio me dizer que um homem queria falar comigo.
Saí a seu encontro, e Sultão o cheirou sem demonstrar o menor contentamento, e se deitou aos meus pés em atitude defensiva.

Parece que ainda vejo meu visitante. Era um homem de meia-idade, de semblante triste e olhar sombrio. Olhou para mim e disse:

– Padre, estamos sozinhos?
– Sim, que queres?
– Quero que ouça minha confissão.
E por que vens me procurar, se tens Deus?
– Deus está muito longe de nós, e eu preciso ouvir uma voz mais próxima.
– E tua consciência nada te diz?

– Justamente porque ouço sua voz é que o venho procurar. Não me enganaram ao me dizer que o senhor e inimigo da confissão.
– É verdade: o horror da vida me angustia; só gosto de ouvir as confissões das crianças, porque seus pecados fazem os anjos sorrirem.
– Padre, escute-me; porque é obra de caridade dar conselho o quem o pede.
– Fala, e que Deus inspire a nós dois.

– Preste toda tua atenção. Há alguns meses, junto aos muros do cemitério da cidade D., encontrou-se o corpo de um homem com o cranio arrebentado. Houve investigações para encontrar o assassino, mas foi tudo em vão. Recentemente, um homem se apresentou no Tribunal de Justiça e declarou ser o matador do homem que foi encontrado morto ao lado do cemitério. Eu sou o juiz dessa causa; a lei o condena à morte, por conta de sua declaração, mas eu não o posso condenar.

– Porquê?
– Porque sei que é inocente.
– Como, se ele se declara culpado?
– Pois eu lhe juro que não foi ele o matador.
– E como podes jurar?
– Porque o assassino desse homem fui eu.
– Tu?

– Sim, padre, fui eu; é uma história muito longa e muito triste; só lhe direi que me vinguei com minhas próprias mãos e que de meu segredo depende a honra de meus filhos; mas minha consciência não pode tolerar assinar a sentença de morte de um homem que me consta que não é culpado.
– Esse desventurado padece de alguma alienação mental?
– Não, não; sua cabeça se encontra perfeitamente organizada. Apelei ao recurso de dizer que estava louco; mas a ciência médica me desmentiu.

– Então, não tenhas remorso por condená-lo; o remorso por outro crime deve tê-lo feito dar esse passo. Ninguém entrega sua vida à justiça sem ser o que se chama um assassino. Vá tranquilo, cumpra com a justiça humana, que o remorso desse desventurado fez que se cumpra a divina. Eu te prometo falar com esse infeliz e, para teu sossego, te direi o que ele me confiar. E, quanto a ti, não voltes a esquecer o quinto mandamento da lei de Deus, que diz: “Não matarás.”

Meus pressentimentos não me enganaram; alguns dias depois, falei com o réu, quando, em seus últimos momentos, lhe disse: “Fala que Deus te escuta!” Então, afogado em lágrimas, ele me disse: “Meu padre, como é triste a vida do criminoso! Há dez anos, matei uma pobre jovem e sua sombra sempre me perseguiu; ainda a vejo, está aqui entre nós! Eu me casei para ver se, vivendo acompanhado, perdia aquele horror que me matava lentamente; mas, quando ia acariciar minha esposa, ela se inter- punha, e seu rosto lívido ocultava o semblante de minha companheira: quando teve o primeiro filho, não era minha mulher que segurava a criança diante de meus olhos; era ela quem mo apresentava. Viajei, entreguei- me a todos os vícios; ora me arrependia e passava dias e dias nas igrejas, e, quando estava nas tabernas, ela passava ao meu lado. Se ia ao templo, ela se colocava diante de todas as imagens; e sempre ela… Não sei por que não tive coragem para me matar e, quando não encontraram o matador desse pobre homem, dei graças a Deus, porque assim poderia morrer acusando-me do delito de sua morte.

– E por que não declaraste vosso crime anterior?

– Porque não há provas convincentes, porque eu soube ocultar tão habilmente meu assassinato que não ficou o menor rastro; mas o que os homens não viram eu vi. Aqui está ela, aqui, e parece que me olha com menos raiva. O senhor não a vê, padre? Não a vê? Ai! Ai! Que vontade de morrer para parar de vê-la!
No momento de subir ao patíbulo, o réu me disse:

– Ela está no lugar do verdugo. Padre, peça o senhor a Deus que eu não a veja depois de morrer, se é que se veem os mortos na eternidade.

Para descanso do juiz homicida, eu disse a ele tudo que havia dito o outro Caim e, ao terminar meu relato, ele me disse tristemente:

Ai, padre, que vale a justiça humana comparada com a justiça divina? A morte daquele homem está vingada perante a sociedade; o réu, talvez, descansa na eternidade; mas eu, meu padre, onde descansarei?
Um ano depois, o juiz foi internado em um manicômio, e nunca mais saiu; e eu, depositário de tantos segredos, testemunha moral de tantos crimes, confidente de tantas iniquidades, vivo angustiado sob o peso das culpas humanas!

Oh, tranquilas tardes de minha aldeia! Onde estais? Já não ecoam minhas orações ao pé da cruz de pedra. Onde estão aqueles meninos que brincavam com Sultão? Este último morreu, os primeiros cresceram… Já são homens… e, quem sabe, alguns deles criminosos.

Dizem que sou bom. Muitos pecadores vêm me contar suas desventuras. E vejo que o remorso é o único inferno do homem.

Senhor, inspira-me! Guia-me pelo caminho do bem, e já que me entristeço por culpas alheias, que eu não perca a razão recordando as minhas, porque que homem haverá neste mundo que não tenha remorsos?

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Precioso Aviso

Do valioso livro Nosso Lar, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz. Este é um trecho do capítulo 6 – “Precioso Aviso”.

Chegado a essa altura, o vendaval da queixa me conduzira o barco mental ao oceano largo das lágrimas.

Clarêncio, contudo, levantou­-se sereno e falou sem afetação:

– Meu amigo, deseja você, de fato, a cura espiritual?

Ao meu gesto afirmativo, continuou:

– Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar  o esforço necessário de imposição  esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira d’alma. Quanto mais utilize o verbo por dilatar considerações dolorosas, no círculo da personalidade, mais duros se tornarão os laços que o prendem a lembranças mesquinhas. O mesmo Pai que vela por sua pessoa, oferecendo-­lhe teto generoso, nesta casa, atenderá aos seus parentes terrestres. Devemos ter nosso agrupamento familiar como sagrada construção, mas sem esquecer que nossas famílias são seções da Família universal, sob a Direção Divina. Estaremos a seu  lado para resolver dificuldades presentes e estruturar projetos de futuro, mas não dispomos do tempo para voltar a zonas estéreis de lamentação. Além disso, temos, nesta colônia, o compromisso de aceitar o trabalho mais áspero como  bênção de realização, considerando que a Providência desborda amor, enquanto nós vivemos onerados de dívidas. Se deseja permanecer nesta casa de assistência, aprenda a pensar com justeza.

Nesse ínterim, secara­-se-­me o pranto e, chamado a brios pelo generoso instrutor, assumi diversa atitude, embora envergonhado da minha fraqueza.

–  Não disputava você, na carne –  prosseguiu  Clarêncio, bondoso  –, as vantagens naturais, decorrentes das boas situações? Não estimava a obtenção de recursos lícitos, ansioso de estender benefícios aos entes amados? Não se interessava pelas remunerações justas, pelas expressões de conforto, com possibilidades de atender à família? Aqui, o programa não é diferente. Apenas divergem os detalhes.

Nos círculos carnais, a convenção e a garantia monetária; aqui, o trabalho e as aquisições definitivas do espírito imortal. Dor, para nós, significa possibilidade de enriquecer a alma; a luta constitui caminho para a divina realização. Compreendeu a diferença? As almas débeis, ante o serviço, deitam-­se para se queixarem aos que passam; as fortes, porém, recebem o serviço como patrimônio sagrado, na movimentação do qual se preparam, a caminho da perfeição. Ninguém lhe condena a saudade justa, nem pretende estancar sua fonte de sentimentos sublimes. Acresce notar, todavia, que o pranto da desesperação não edifica o bem. Se ama, em verdade, a família terrena, é preciso bom ânimo para lhe ser útil.

Fez-­se longa pausa. A palavra de Clarêncio levantara-­me para elucubrações mais sadias.

Enquanto meditava a sabedoria da valiosa advertência, meu benfeitor, qual o pai que esquece a leviandade dos filhos para recomeçar serenamente a lição, tornou a perguntar com um belo sorriso:

– Então, como passa? Melhor?

Contente por  me sentir desculpado, à maneira da criança que deseja aprender, respondi, confortado:

– Vou bem melhor, para melhor compreender a Vontade Divina.

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Preces do coração – 66

Do pequeno grande livro “Preces do Coração”, de Lourival Lopes. Esta é a oração 66.

Senhor!

Encontro-me diante de um problema, que não consigo solucionar. Sei que o grau de dificuldade de um problema varia de acordo como é enfrentado. Atacado com coragem e determinação, torna-se de fácil resolução e se esvai completamente. Se enfrentado timidamente, mostra-se endurecido e resistente. Tenho disposição e coragem para resolver o problema, mas não sei o que fazer, como, quando e por onde começar.

E o meu problema não é dos que se resolvem por si mesmos, com o tempo. Necessito, pois, de inspiração para encontrar a solução adequada e acalmar o meu sistema nervoso. Concede-me esta inspiração, Senhor.

Tenho resoluta confiança em Ti, pois a consciência me diz que Tu és a sabedoria e o amor perfeitos.
Estou cheio de fé e tranquilo espero as melhorias que virão.

Obrigado! Obrigado!

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Parábola do semeador

Este trecho é do livro “Evangelho Segundo o Espiritismo“, de Allan Kardec. Este trecho é do capítulo 17 item 5 e 6, “A parábola do Semeador”.

5. Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; – em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. – Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim:

Aquele que semeia saiu a semear; – e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. – Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. – Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. – Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. – Ouça quem tem ouvidos de ouvir. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)

Escutai, pois, vós outros a parábola do semeador. – Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração. Esse é o que recebeu a semente ao longo do caminho. – Aquele que recebe a semente em meio das pedras é o que escuta a palavra e que a recebe com alegria no primeiro momento. – Mas, não tendo nele raízes, dura apenas algum tempo. Em sobrevindo reveses e perseguições por causa da palavra, tira ele daí motivo de escândalo e de queda. –

Aquele que recebe a semente entre espinheiros é o que ouve a palavra; mas, em quem, logo, os cuidados deste século e a ilusão das riquezas abafam aquela palavra e a tornam infrutífera. – Aquele, porém, que recebe a semente em boa terra é o que escuta a palavra, que lhe presta atenção e em quem ela produz frutos, dando cem ou sessenta, ou trinta por um. (S. MATEUS, cap. XIII. vv. 18 a 23.)

6. A parábola do semeador exprime perfeitamente os matizes existentes na maneira de serem utilizados os ensinos do Evangelho. Quantas pessoas há, com efeito, para as quais não passa ele de letra morta e que, como a semente caída sobre pedregulhos, nenhum fruto dá!

Não menos justa aplicação encontra ela nas diferentes categorias espíritas. Não se acham simbolizados nela os que apenas atentam nos fenômenos materiais e nenhuma conseqüência tiram deles, porque neles mais não vêem do que fatos curiosos? Os que apenas se preocupam com o lado brilhante das comunicações dos Espíritos, pelas quais só se interessam quando lhes satisfazem à imaginação, e que, depois de as terem ouvido, se conservam tão frios e indiferentes quanto eram? Os que reconhecem muito bons os conselhos e os admiram, mas para serem aplicados aos outros e não a si próprios? Aqueles, finalmente, para os quais essas instruções são como a semente que cai em terra boa e dá frutos?

Leiam este livro aqui-1, aqui-2 e aqui-3.

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